Cogumelo que era rosa

A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida

Vinícius de Moraes

Era uma vez um cogumelo que era uma rosa,
um poeta chamar-lhe-ia a anti-rosa.
A raiz era de fogo e negra a sua fecúndia
como o seu desígnio negro.
E a raiz caiu do céu.

Cada uma em seu dia, duas rosas bastaram
para varrer uns cento e trinta mil amigos
de crisântemos e flores de cerejeira,
de chá, caligrafia, minúsculos poemas,
libelinhas e templos na floresta.

O cogumelo venenoso era uma rosa sem rosa,
diria o poeta. Nem de espinhos,
nem de espinhos essa rosa americana precisou.

1 de Agosto de 2015

João Pedro Mésseder