A Sessão Cultural pela Paz e o Desarmamento promovida pelo CPPC no sábado, 27, no cineteatro da Academia Almadense, constituiu um emocionante momento de afirmação da campanha em curso pela adesão de Portugal ao Tratado de Proibição de Armas Nucleares. Pelo renovado palco da centenária colectividade almadense passaram criadores e artistas, educadores e activistas, que no seu quotidiano se batem por justos valores, como são a paz, a solidariedade e a cooperação.

O programa da sessão, apresentada por Sílvia Cunha, começou na rua, com o grupo Almada Street Band, composto por jovens músicos, animou a população encaminhando-a para o interior do espaço, onde prosseguiu no palco a sua actuação. Seguiu-se os Rumores d’ Além Tejo, com a música tradicional portuguesa a lembrar que é no povo e nas suas aspirações, tradições e cultura que reside a identidade de um povo, pilar da sua soberania. A juventude voltou a estar no centro das atenções com os The Future IZ US e a contagiante alegria e energia da sua dança.

Em magistrais e emocionantes interpretações, Samuel partilhou com a numerosa e empenhada assistência verdadeiros hinos de combate pelo futuro e de amor à Humanidade: El Derecho de Vivir en Paz (Victor Jara), Tinha uma Sala Mal Iluminada (José Afonso), Pequeña Serenata Diurna (Silvio Rodriguéz) e As Balas (Adriano Correia de Oliveira, com poema de Manuel da Fonseca) foram apenas algumas. A última actuação ficou a cargo da Companhia de Dança de Almada, que apresentou um pequeno mas notável excerto de Fobos, uma coreografia de Bruno Duarte.

A poesia – que tal como a música é companheira fiel de todos quantos se batem pela paz e o progresso – esteve a cargo da actriz Luzia Paramés, que declamou de forma soberba Rosa de Hiroxima, de Vinicius de Morais; Ode à Paz, de Natália Correia; Arma Secreta, de António Gedeão; e Nada é Impossível de Mudar, de Bertolt Brecht.

Este último poema – e não foi por acaso que ficou para o fim – é um pungente apelo à transformação, contra a apatia e as «verdades oficiais» veiculada pelos grandes meios de comunicação social, não apenas mas também quando o assunto é a guerra ou a paz, a ingerência ou a soberania: «não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar.»

O director da Companhia de Teatro de Almada, Rodrigo Francisco; o presidente da Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto, Augusto Flor; a vice-presidente da União de Freguesias de Almada, Cova da Piedade, Cacilhas e Pragal, Susana Montalvo; e a directora da Escola Secundária Fernão Mendes Pinto, Ana Pina, deixaram importantes testemunhos acerca do papel do teatro, das associações, do poder local e da escola na difusão dos valores da paz. Em nome do CPPC, Hernâni Magalhães apresentou os objectivos da campanha e apelou à assinatura da petição, que pretende levar à Assembleia da República a exigência de adesão de Portugal ao Tratado de Proibição de Armas Nucleares.