Samuel Quedas, nascido em 1952. Os primeiros vinte anos de vida são uma sucessão de “mal entendidos”, envolvendo uma Igreja à qual não quer pertencer e um curso apontado para a economia, que não quer seguir. Quando finalmente escolhe a História, descobre que a História já tinha outros planos: apresentar-lhe pessoalmente José Afonso.

Chegado às cantigas um pouco antes de 72, guiado pelo som de Manuel Freire, Fanhais, Paco Ibañes, Adriano Correia de Oliveira e José Afonso, entre mais alguns, foi o encontro com “o Zeca” que determinou o início daquilo a que se costuma chamar uma carreira artística, mas que veio a revelar-se algo bem mais importante: mudar de vida. O 25 de Abril encontra-o em pleno início da carreira profissional.

Com o Zeca aprendeu quase tudo o que usa para fazer canções, menos o segredo para enriquecer à custa disso, habilidade que o Zeca também desconhecia. De lá para cá, num trajecto assumidamente marginal, nunca mais deixou de cantar e fazer as canções que achou necessárias para dizer aquilo que achou dever ser dito.

Depois de alguns discos, milhares de quilómetros de “Canto Livre”, muitas centenas de concertos, festivais de canção cá dentro e fora do país, passagens pelo teatro “A comuna”, “Teatro Adoque” e “A barraca”, produção musical de discos para outros artistas, músicas para novelas televisivas, marchas populares e, mais recentemente vários anos de colaboração intensa na produção musical da “Oficina do Canto” de Montemor-o-Novo, ainda a procissão vai no adro, ainda há muito para fazer. Enquanto autor, enquanto intérprete, enquanto “agente” de cultura, enquanto cidadão.