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Estimados deputados
Senhoras Embaixadoras
Senhor Embaixador

Caros amigos e companheiros

Uma saudação muito especial aos nossos convidados da América Latina e do Caribe que aceitaram partilhar connosco as suas lutas, os avanços progressistas nos seus países e em toda a região, que tão importantes têm sido para o reforço da luta pela paz, mas também as preocupações com as ameaças que pairam contra as conquistas progressistas que melhoram a vida de muitas dezenas de milhões de pessoas, com destaque para o Brasil, a Venezuela, a Bolívia, o Equador, o Uruguai, El Salvador, Argentina, Perú, tendo como exemplo Cuba socialista.

São preocupações que partilhamos porque vivemos e lutamos contra os sucessivos ataques, ao longo de dezenas de anos, à revolução portuguesa, iniciada em 25 de Abril de 1974.
Sabemos que a luta contra a opressão e as injustiças sociais não acaba com o fim da ditadura.

Mesmo quando a revolução vai mais longe na destruição dos mecanismos do poder fascista e, com a mobilização dos trabalhadores e das populações, se consegue que o poder político democrático controle efectivamente o poder económico, com as nacionalizações e a reforma agrária, como aconteceu, durante anos, em Portugal, e a Constituição da República Portuguesa que daí resultou, promulgada há 40 anos, consagrou, a verdade é que a elite económica e financeira não quer perder privilégios e não aceita passivamente que haja uma distribuição justa da riqueza.
Recorrem sempre a todos os meios possíveis, seja usando a mentira e a falsificação, manipulando a comunicação social que conseguem controlar, para criar a incerteza e facilitar privatizações, destruição de direitos laborais e ataques a funções sociais do estado, seja ao medo quando o desemprego alastra e o empobrecimento se generaliza.

E se, entretanto, conseguirem subverter o poder político democrático, e o poder económico passar a impor os seus interesses, a destruição de direitos é sempre acompanhada de um empobrecimento da democracia e de cada vez maiores ameaças à liberdade, pondo em causa o progresso social, o direito soberano dos povos decidirem do seu destino e de a própria democracia ser posta em causa.

Por isso, o Conselho Português para a Paz e Cooperação dá especial atenção à luta dos povos pela democracia, a liberdade, a independência nacional, a paz, tal como hoje, aqui, nesta iniciativa de solidariedade com a América Latina.

Acompanhamos e partilhamos a alegria da evolução progressista na América Latina e no Caribe, marcada por um conjunto de processos progressistas de afirmação soberana, de conquista de direitos sociais e laborais e de avanços na cooperação solidária entre Estados soberanos e no desenvolvimento económico e social.

Mas também acompanhamos com grande preocupação a contra ofensiva de sectores reaccionários e do imperialismo visando regredir esses processos.

Com esta iniciativa, queremos transmitir a solidariedade para com os povos e as forças progressistas da América Latina e do Caribe. A nossa experiência demonstra que a luta conjunta do povo e das forças progressistas é um travão muito forte aos projectos revanchistas de retrocesso social, de ataque a direitos e liberdades.
Tal como em Portugal, onde perdura a força dos valores de Abril que são suporte às lutas em que os trabalhadores e o povo português continuam empenhados, também é nossa convicção que, nos vossos países, haverá a força suficiente para vencer estas lutas que estão a desenvolver contra o imperialismo, na defesa da democracia e da independência nacional.

São lutas comuns e solidárias, em que todos nos envolvemos, pelo progresso social dos nossos povos e da humanidade, questão essencial para defender a liberdade, fortalecer a democracia, promover a paz.

Solicitamos que levem e transmitam aos povos dos vossos países a nossa solidariedade, este nosso propósito de lutarmos juntos pela defesa das conquistas sociais e laborais, pelo aprofundamento da democracia, contra as ingerências externas e pela defesa do direito soberano de cada povo decidir o seu destino.

Pela Paz, todos não somos demais!